Amir Klink

"Um homem precisa de viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens ou TV. Precisa de viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio tecto. Um homem precisa de viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver." Amir Klink















domingo, 7 de novembro de 2010

Dia 42. El Cebreiro.

Terça, 26 de Outubro de 2010.



O barulho no quarto começou cedo e por aquilo que ele me contou não tinha dormido nada pelo barulho que havia no quarto...Desci para o refeitório sem saber que horas eram e mesmo comendo devagar quando terminei ainda era noite,lua a brilhar ao máximo no céu limpo.Acompanhei André, Juan e Carmen até ao local em seu pequeno-almoço e aceitei o convite para o café, como queria fazer mais que eles deixei-os para trás, penso estar com eles de novo em Santiago.


A saída pelo vale era como tantos que até aqui passei, e lá apenas com o recurso à engenharia se conseguiu adicionar a auto-estrada do outro lado do rio, e mais nada para além disso e do verde havia.



Mais uma prova de castanhas e sim, as que tinha encontrado na estrada para além de grandes eram boas. Enquanto apanhava ouvia os outros ouriços a cair como se chovessem castanhas, também os chocalhos das vacas que por ali perto estavam.



Tirei o corta-vento pois embora estivesse gelado o sol já rompia o vale e a subida ao Cebreiro ia começar. Subitamente cheguei ao local onde se via bem a sinalização a avisar que as bikes deviam seguir pela estrada mas o caminho pedestre absorveu-me e por aí escolhi subir. Cedo descobri que quase certeza que por aí conseguiria subir pois havia bosta de vaca em todo trilho, certo que se passava uma vaca eu também passaria.



O trilho era estreito, com pedra rolada solta e xisto, e com uma inclinação que tornava impraticavel de o fazer, mas o dia ajudava muito nem que fosse pelo prazer do bom tempo para poder contemplar a beleza do sítio. Pela subida conheci um indiano e um coreano, estavam admirados de me ver ali e com eles fiquei um pouco a conversar.


Estava lindissima a paisagem, tudo verde como se estivesse no Gerês e os montes eram até perder de vista, fotos não faltaram! Ao chegar ao topo a 1200 metros de altitude. tentei escrever algo enquanto tomava umas bolachas mas chegam os 2 Javier de Bilbao que tinha visto no albergue anterior e conversa puxa conversa adicionei mais uns amigos no rol que desta viagem levo.

Com eles baixei de novo até Triacastela e aí almoçamos os 3 junto a uma pequena capela. Pelo caminho mais conversa, um deles levava toda a bagagem dos dois num carro adaptado para a bike e assim compensava a falta de treino do outro o mais engraçado era que quem não tinha bagagem era quem travava, mas gente 5 estrelas!


Fizemos tudo em estrada até Portomarin onde ficamos num albergue que tinha a cozinha completamente vazia sem uma colher sequer... sorte a minha ter a mini-caçarola de alumínio para meter as castanhas a assar pouco depois de chegar.



Deram para todos, e todos diziam que viam milhares mas não as apanhavam.Boas que estavam desapareceram todas, mas só eu comi 1/3 delas, logo a seguir já estavam os Javier a meter-me um prato de massa à frente para continuar na recuperação das energias perdidas, a caçerola tiveram que a comprar. Com mais 2 raparigas que chegaram o grupo ficou com 8 pessoas... momento espetacular todos no riso!



No final não nos chegava e embora o albergue fechasse às 22 acabamos por sair e deixar as janelas abertas e fomos descobrir a noite daquele local, acabamos por encontrar mais gente do albergue e copo puxa copo acabamos por regressar eram mais de 2. Óbvio que aquilo que devia ter escrito ficou por fazer e fiquei até altas horas da noite a tentar compensar.



Um abraço amigo, Samuel Santos.

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